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2 de Abril de 2020

Como a economia compartilhada pode revolucionar a vida em seu condomínio

Dicas práticas para tornar a vida em condomínio mais prática, mais cooperativa e mais econômica

Direito do Condomínio
mês passado

economia-compartilhada

Por Carlos Eduardo Vinaud, especialista em Direito Imobiliário.

E se seu condomínio tivesse um aplicativo para disponibilizar os roteiros de viagens feitas pelos moradores, de forma que você pudesse compartilhar caronas e dividir as despesas da viagem com um vizinho?

Sairia mais barato do que Uber, não sairia?

E se você pudesse consultar esse aplicativo para verificar se alguém do condomínio tem filhos que estudam na mesma escola que seus filhos, e combinar de que um leve e o outro pegue todos os meninos?

E se os condôminos determinados a perder peso pudessem contratar, em conjunto, um personal trainer, com um desconto extra para turma, e dar as aulas na academia do condomínio.

Essas são ideias da nova tendência em condomínios: a economia compartilhada.

Entenda agora como funciona essa ideia na prática.

Qual é a lógica da economia compartilhada para condomínios?

A lógica da economia compartilhada em condomínios é fazer o melhor aproveitamento possível dos recursos físicos e humanos disponíveis num condomínio (que são muitos).

Síndicos e administradores de condomínios estão apostando, cada vez mais, na troca inteligente e estratégica dos recursos disponíveis, sejam físicos ou humanos.

Até as imobiliárias têm adotado essas práticas como diferencial para o marketing de seus lançamentos.

A construtora promete um condomínio que já vem todo estruturado para a adoção de práticas colaborativas, tais como coworkings para moradores, espaços gourmet, lavanderias coletivas.

Já tem lançamento divulgando apartamentos menores, ideias para quem quer fazer locação pelo AirBnb.

Confira aqui nosso artigo sobre a locação por temporada por meio de aplicativos como o AirBnb – clique aqui.

3 grandes benefícios da adoção da economia compartilhada

Para os síndicos que pensam em mudar a forma de gerenciar seus condomínios, pensando no quesito economia e maior interação entre os moradores, podemos listar três grandes benefícios da economia colaborativa.

Benefícios que podem ser alcançados já no curto prazo:

  • economia nos gastos;
  • otimização do uso da estrutura comum do condomínio;
  • possibilidade de troca de serviços e bens entre moradores.

Com a adoção de práticas de economia colaborativa, a taxa de condomínio deixa de ser vista como despesa pelos moradores, e passa a ser encarada como um investimento.

Alguns condomínios, por exemplo, já conseguem fornecer gratuitamente para seus moradores serviços mais simples, como a dedetização das unidades, manutenção de redes de proteção, verificação de vazamentos em vasos sanitários.

Serviços individualizados também ficam mais baratos pelo uso compartilhado, como serviços de chaveiros, encanadores, eletricistas, pintores, educadores (como responsáveis pela diversão das crianças durante o dia).

Se o condomínio tem um aplicativo, esses prestadores podem ser avaliados pelos moradores, com uma nota, como os motoristas do Uber.

Existem muitos aplicativos prontos, e o condomínio não precisa desenvolver app próprio.

Confira alguns nessa lista – clique aqui.

Pense no ganho de produtividade, e melhora no atendimento e qualidade do serviço?

O mesmo vale para link dedicado de internet, estratégias para aumentar a segurança com economia, uso inteligente dos espaços comuns.

Também temos a possibilidade de manutenções técnicas compartilhadas para internet, ar condicionado e até serviços de informática.

Muito além da economia compartilhada

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Alguns condomínios vão além, e apostam na economia compartilhada entre condomínios, fazendo verdadeiros consórcios de serviços entre vários condomínios.

Os descontos obtidos são muito maiores!

Aqui em Goiânia, síndicos de vários condomínios em frente a uma grande praça se organizaram para contratar professores de educação física, personal trainers, nutricionistas e até uma psicóloga para criar uma grande rede de saúde dos moradores.

Eles ministram cursos e fazem treinamentos para os moradores na praça, a preços super acessíveis.

A troca de serviços entre condôminos

A troca de serviços entre moradores também é uma novidade.

Profissionais liberais como advogados, arquitetos, personal trainers, nutricionistas, professores de educação física ganham ao permutar, com seus vizinhos, seus próprios serviços.

Sabemos que, hoje em dia, vários desses profissionais trabalham em casa.

Isso facilita a permuta de serviços, num espaço que já está sendo pensado justamente para esse tipo de colaboração.

Um advogado, por exemplo, pode pegar uma ação de um personal trainer, que oferece, em troca, um tempo do seu serviço gratuitamente.

Ou um arquiteto pode pagar um pacote de consultas com o nutricionista através de um projeto de decoração de um apartamento.

Para começar, precisa melhorar a comunicação do condomínio

Para implementar a economia compartilhada, o primeiro passo é assumir que o condomínio é um espaço de colaboração.

E, como tal, todas as ferramentas de comunicação precisam ser melhoradas.

Não bastam 2 ou 3 assembléias anuais para manter moradores informados.

As interações entre os condôminos precisam ser mais frequentes.

A tecnologia disponível hoje permite soluções bastante eficientes.

Não tem nada que grupos de whatsapp ou aplicativos para smartfones não possa fazer.

O aplicativo do condomínio, inclusive, pode implementar soluções mais colaborativas e organizadas, evitando os ruídos gerados em grupos de whatsapp.

Mas, não dá para ficar só no digital.

Nossa experiência tem mostrado que condomínios que promovem eventos e festas conseguem implementar ideias criativas com muito mais facilidades.

E não precisam ser eventos sobre questões condominiais.

Se o seu condomínio tem muitas crianças, por que não organizar uma palestra com médicos e psicólogos para tratar de questões ligadas à saúde e comportamento?

Muitos profissionais desses podem ser convidados dentro do próprio condomínio.

Se é um condomínio de salas comerciais, por que não organizar eventos para networking, palestras sobre temas corporativos e até treinamentos dados por contadores, advogados e gestores?

As possibilidades são infinitas.

Basta disposição, um pouquinho de organização e, acima de tudo, comportamento colaborativo.

Carlos Eduardo Vinaud Pignata é Advogado, especialista em Direito Bancário e Imobiliário. Formado na Universidade de Brasília (UnB) e Pós-Graduado em Direito Contratual pela Escola Brasileira de Direito (Ebradi), atuou por 10 anos como advogado de grandes bancos e incorporadoras. Carlos Eduardo Vinaud Pignata é advogado associado da Sérgio Merola Advogados, responsável pelas áreas de Direito Imobiliário e Direito Bancário.

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